sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
i fear
no fate (for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that’s keeping the stars apart

i carry your heart (i carry it in my heart)

e. e. cummings

quinta-feira, 24 de novembro de 2011



alone with everybody
bukowski

"Despreza tudo, mas de modo que o desprezar te não incomode. Não te julgues superior ao desprezares. A arte do desprezo nobre está nisso."

Fernando Pessoa

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Momento de poesia com Vinícius de Moraes e Tom Jobim


domingo, 6 de novembro de 2011


terça-feira, 1 de novembro de 2011



"(...)
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
(...)"
Pessoa

Não me digas mais nada. O resto é vida.

Sob onde a uva está amadurecida

moram os meus sonos, que não querem nada.

Que é o mundo? Uma ilusão vista e sentida.

Sob os ramos que falam com o vento,

inerte, abdico do meu pensamento.

Tenho esta hora e o ócio que está nela.

Levem o mundo: deixem-me o momento!

Se vens, esguia e bela, deitar vinho

em meu copo vazio, eu, mesquinho

ante o que sonho, morto te agradeço

que não sou para mim mais que um vizinho.

Quando a jarra que trazes aparece

sobre o meu ombro e a sua curva desce

a deitar vinho, sonho-te, e, sem ver-te,

por teu braço teu corpo me apetece.

Não digas nada que tu creias. Fala

como a cigarra canta. Nada iguala

Fernando Pessoa, Canções de Beber

quarta-feira, 19 de outubro de 2011



Podia ser perfeitamente a nossa história de amor, hein oh Chico, n'era?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011


domingo, 16 de outubro de 2011


Schiele

quinta-feira, 22 de setembro de 2011


Robert e Patti pela Judy Linn

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

I'm in love

why do you need a bad woman?
you need to be tortured, don’t you?
you think life is rotten if somebody treats you
rotten it all fits,
doesn’t it?
tell me, is that it? do you want to be treated like a
piece of shit?
and my son, my son was going to meet you.
I told my son
and I dropped all my lovers.

I stood up in a cafe and screamed
I’M IN LOVE,

Bukowski

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Primeiro amor

Quando um homem ama uma mulher
Primeiro, ele a coloca no colo
Toma o cuidado de levantar o vestido
Para não estragar a calça
Pois um tecido sobre outro tecido
Gasta o tecido
Em seguida, verifica com a sua língua
Se as amígdalas foram bem extraídas
Senão, seria realmente contagioso
E depois, como é preciso ocupar as mãos
Ele procura, o mais longe que pode procurar
E rápido acaba por constatar
A presença efetiva e real da cauda
De um camundongo branco manchado de sangue
E ele puxa, delicadamente, pelo fiozinho
Para engolir o tampax.

Boris Vian

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Não Estou Pensando em Nada

Não estou pensando em nada
E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o verão quente do dia,

Não estou pensando em nada, e que bom!

Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada.
E como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas,
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

segunda-feira, 22 de agosto de 2011



sábado, 13 de agosto de 2011

Canção da Saudade

Se eu fosse cego amava toda a gente.

Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gemea que nasceu sem vida, e amo-a a fantazia-la viva na minha edade.

Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste.

Eu amo aquella mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longissimos.

Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.

Eu amo aquellas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.

Eu amo os cemiterios - as lágens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos florídos virgens núas, mulheres bellas rindo-se para mim.

Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.

Se eu fosse cego amava toda a gente.

Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1'

segunda-feira, 21 de março de 2011

história de cão

eu tinha um velho tormento
eu tinha um sorriso triste
eu tinha um pressentimento

tu tinhas os olhos puros
os teus olhos rasos de água
como dois mundos futuros

entre parada e parada
havia um cão de permeio
no meio ficava a estrada

depois tudo se abarcou
fomos iguais um momento
esse momento parou

ainda existe a extensa praia
e a grande casa amarela
aonde a rua desmaia

estão ainda a noite e o ar
da mesma maneira aquela
com que te viam passar

e os carreiros sem fundo
azul e branca janela
onde pusemos o mundo

o cão atesta esta história
sentado no meio da estrada
mas de nós não há memória

dos lados não ficou nada

Mário Cesariny

sábado, 26 de fevereiro de 2011


Almada Negreiros

terça-feira, 3 de agosto de 2010

EAT YOUR HEART OUT
I've come by, she says, to tell you

that this is it. I'm not kidding, it's
over. this is it.
I sit on the couch watching her arrange
her long red hair before my bedroom
mirror.
she pulls her hair up and
piles it on top of her head-
she lets her eyes look at
my eyes-
then she drops her hair and
lets it fall down in front of her face.
we go to bed and I hold her
speechlessly from the back
my arm around her neck
I touch her wrists and hands
feel up to
her elbows
no further.
she gets up.
this is it, she says,
this will do. well,
I'm going.
I get up and walk her
to the door
just as she leaves
she says,
I want you to buy me
some high-heeled shoes
with tall thin spikes,
black high-heeled shoes.
no, I want them
red.
I watch her walk down the cement walk
under the trees
she walks all right and
as the pointsettas drip in the sun
I close the door.

sábado, 10 de julho de 2010

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa