segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dizem que fumar mata.
Dizem muita coisa sobre outras coisas.
Dizem.
Acho que tudo nos faz viver, de uma forma bruta.
Digo.

Alongo o cabelo no meio da rua, acabo por sentir aranhas nas pernas.

Eles são um casal. Observo diariamente os seus hábitos, vêem séries e depois a meio, quando metem em pausa, saem os dois para uma divisão que não alcanço. As suas cortinas acetinadas permitem a violação brutal. Eu mantenho os estores verdes antigos que chiam ao abrir e fechar, os gatos gostam. Se calhar adoro observar os outros só porque sim, não porque me interessam, é só porque sim.
São personagens da minha noite solitária.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Aqui no café do lado é tudo tão poético que me dói sair daqui. Conversas do acaso, de vidas alheias, de personalidades típicas, erguem vozes e mancham t-shirts, o calor é muito. Na televisão passa o Willy Wonka que dá cor a este mural lisboeta. Assim é o meu bairro, foi amor à primeira vista. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Fingimentos maduros Quando descobres uma coisa e sabes que o melhor é fingir que não descobriste, quer dizer que estou a um passo de ser uma pessoa normal.

Ontem à mesma hora de sempre lá estava eu, sentada na paragem do autocarro à espera do 759.
Já era tarde, costumo apanhar sempre o último, é o tempo de ir a correr comprar cerveja logo que saio do trabalho. Ando sempre de saias, umas vezes curtas, outras vezes não. Ontem, um tipo meteu-se comigo, nunca absorvi a lata das pessoas até ontem. Acenou, eu acenei. Sentou-se, deixei-o sentar. Começou a falar, mantive a conversa. Depois pediu-me em namoro sugerindo que tinha um grande pénis e que podia fazer-me filhos, mil.
Retiro daqui, a humanidade não só está perdida como não tem qualquer tipo de noção do facto.

Penso em como não fui aceitar o namoro.

Desde que trabalho na cozinha o meu corpo transformou-se num museu de azares, se já coleccionava de forma amadora azares domésticos, agora é uma exposição constante. Surpreendi-me ao olhar para o polegar, tinha uma farpa há semanas e quanto mais tentava tirar mais me incomodava, hoje desapareceu. Estou estupefacta, já conversava com a farpa, discutíamos a melhor forma de ela saltar do polegar mas pelos vistos acabou por sair à francesa, sem qualquer recado, assim se foi. Espero que as borbulhas que tenho na face também desesperem mas com estas as conversas estão sempre emersas de cerveja.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Hoje a felicidade aconteceu, pois foi.
Há umas semanas atrás andei à procura de casa, pensei mesmo que seria a melhor altura para viver sozinha, controlada, equilibrada, adulta e empregada. A começar uma carreira e a desafiar o caos. Desisti, burocracias gigantes, bichos de inúmeras cabeças, papéis velhos, IRS e o caraças.
Ligaram-me hoje, fiquei com a casa dos meus sonhos.
E tem quintal.
Hoje sei que os sonhos valeram a pena, acreditarei para sempre que o impossível acontece.
Lutarei sempre, amarei sempre e conquistarei sempre tudo.
Sempre.
É eterna, a vida.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Regresso da terrorista Sinto-me consolada ao saber que este cantinho ainda me pertence, dediquei-me a dar bons dias a pessoas e distraí-me na complexidade humana.


Estou de volta!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Ernst Ludwig Kirchner  
Lovers (1903)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Isolada da sobriedade Tentamos ver as coisas de uma maneira tão singela que nos aborrecemos vezes sem conta, daí nascem os dramas dos dramáticos, as psicoses dos reprimidos e a coragem dos falhados.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Para que te interessa a vida se não a vives?
A vida é cuspir sentimentos, maltratar consciências e desafiar momentos.
É dançar a valsa em corpos vazios, cabeças cheias de liberdade que expandem ao som do saxofone.
É dar de beber à dor logo que acordas porque nem a deixas ser mais dor, livramo-nos do peso.
Para quê viver com um corpo pesado? 
Para quê tantas questões, tantos dramas e aflições?
Não podemos só dar as mãos, dar os sexos, brindar harmoniosamente à vida? 
Perdemos demasiado tempo a gerar a repressão. 
Vou jogar à bola com a responsabilidade, chuto e é golo, cartão vermelho quando meto a mão.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014



Quero-te 

sábado, 11 de janeiro de 2014


E a maneira que arranjo para manter o meu blog actualizado é:
Vou tatuar o nome do Céline no cu.


Não quero saber disto, não por nada em especial mas na verdade já não tenho paciência.
Adoro escrever como adoro fazer outras coisas. 
Adoro viver e para mim isso basta-me.
Não tenho quaisquer opinões, todo o conhecimento é vão, do tipo vai e vem.
Só quero saber tudo porque sou eternamente esfomeada pelo conhecimento e só como aquilo que quero, desfazendo os vegetarianos em quatro partes, eu como realmente tudo, quanto mais cru, melhor.
Quero dançar tudo, papar tudo, beber tudo, porque há sempre festa dentro de nós, gigante! Gigantes! Caso para ter medo.
Querer, nunca poder, atrás a ilusão, seremos assim, irmãos! Que bela oração, Senhor João!
Eu não preciso de ler o que tu lês, não preciso de ver o que tu vês, não preciso nada disso, a sério! Na verdade acho uma piada ao facto de isto para ti ser sempre demasiado importante, baseias a água dos pés em coisas pouco florais e devaneias em fotografias já cremadas pelo tempo. Foda-se, eu sou uma miúda, não gostas de mim?
Não preciso de porcaria nenhuma, ah, preciso de ver a minha avó, check! E a minha mãe, duplo check!
Ok, quero não preocupar-me com este enorme peso de responsabilidade sobre a tua sujidade. Seus porcos! São mesmo!
Deixem-me ir, por favor, eu quero ir embora daqui para ali, para acolá e voltar aqui.
Quero só estar assim, assim como estou agora, não percebem? É difícil, é bom demais para explicar.
A sério, deixem-me o jazz, o vinho e os amigos, quero lá saber de amor, pudor nunca o tive e, o terror sinto-o quando tu te aproximas com esse ar vulgar, MEU DEUS! Não quero nada disso! Disto!
Vou embora daqui, pego na faca do queijo e saio pela porta, o nevoeiro confunde-me e, foda-se, volto para dentro amedrontada nem sei pelo quê, eu queria conquistar a lareira ao fundo da sala mas sinto-a demasiado longe, vejo-a desfocada e repleta de pequenos bonecos de madeira plastificados, desejo que aquilo arda tudo, que se desfaçam todos naquela fogueira imensa. Porque quero sair daqui.
Pessoas, somos isto, obrigada.
Quero pegar naquela sola desfeita e completamente mole, quero refazê-la com pregos dourados, quero fazê-la brilhar na rua vazia.
Só preciso de uns sapatos novos. 

NOTA: Vamos ser felizes?

domingo, 29 de dezembro de 2013



domingo, 22 de dezembro de 2013


Fui sacudida pelo destino. 
Sinto-me nada, sinto-me abafada pela vida.
Sinto que, mais uma vez, fui severamente engolida pelo acaso. Se por acaso estava feliz, tão por acaso desabou-me a esperança, caiu num colo fraco e numa espiral podre.
Quando por acaso senti que as coisas faziam sentido, deixaram de fazer, perdi-me novamente, totalmente, brutalmente, a minha respiração alterou-se e os meus olhos cairam, não choro, não rio, encosto-me ao ombro da apatia e sinto que não consigo pensar. Não quero pensar, não quero nada, quero sentir, outra vez. Estou demasiado perdida.
 

domingo, 1 de dezembro de 2013

sábado, 30 de novembro de 2013

Não estou certa de nada, errada com tudo, preocupada nada e triste nem com o pensar.
As histórias de amor acabam quando mal começam, depressa são corrompidas com falsetes desgraçados e possessões venenosas, já chega de esfregar a testa repetidamente, a parede já esfarelou e o meu sangue com ela ficou. Os meus sonhos despedaçaram-se em unhas ruídas e bebedeiras constantes, ficamos por aqui, tenho dito a tempo inteiro e custando ou não, as minhas unhas já estão rentes. Acabou.