Pela primeira vez na minha vida li um conto em que do inicio ao fim chorei e babei-me.
Conto esse da autoria de Luiz Pachecho, chamado Comunidade.
Que filha da puta de obra-prima é aquela?
Por que é que não li aquilo na escola?
Em vez dos dentes por baixo da almofada, deviam deixar esta obra e esperar que a vida doesse ainda mais. Como tem de doer, porque és livre.
Orações a ti, Pacheco, em nome do vinho, claro.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Porque é que eu gosto de viver?
Porque ando, porque sinto a calçada nos gémeos, porque esbanjo sorrisos a estranhos sem pensar em nada em troca, viro esquinas a tatear músicas passadas, repito passos em volta e perco-me de queixo erguido, esta condição a que me submeteram, ai, aceito-a insatisfeita e duplico-a em sonhos, de que me resta lamentar quando pode ser tudo maravilhoso?
O momento em que ando, em que adoro viver, perco-me sempre por aí, em arquitectura inadequada, colo-me a vidros desgastados pela falência monetária, em ruínas despropositadas e azulejos de imitação.
Poderia eu partilhar a minha tristeza melancólica com a felicidade dos outros, mas prefiro guardá-la em mim, pois ela não é mais infeliz que outros.
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Fotografia do mano Wolfgang Tillmans
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Se soubessem o que é não ter o que comer, não se ririam assim, tão despreocupados!
Se soubessem o que é não ter mais de um euro na carteira, não se armavam em gente!
Se soubessem o que é não ter rigorosamente nada e inventar esquemas para comer e beber, poderiam empregar a palavra miséria!
Se soubessem o que é não ter como ser, enquanto ser social, ir a festas e essas merdas, saberiam que isso traria problemas monetários e perdas de amigos.
Se soubessem o que é pedinchar a entes queridos, a devotos colegas, a ocasiões forçadas, saberiam que o mundo é demasiado cinzento para empréstimos corrompidos por sorrisinhos aqui e acolá.
Quero lá eu saber do mundo.
É que nem de ti, nem de mim, apesar de tudo o resto ser merda.
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domingo, 30 de outubro de 2016
Hoje acordei com a cara deformada, a pele dos meus lábios secaram até à exaustão e pontos vermelhos pintam abstractamente a minha face.
Vejo o meu rosto de perto e sinto pena, pena daquilo em que me tornei que, ao mesmo tempo, dá-me um gozo tramado.
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