quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Habituado a combater, Jacinto entrou na guerra mais cruel de sempre, o amor. Desfrutou gratuitamente do primeiro bem-estar, das provas de amor e do riso sincero mas rapidamente acabou por se entregar demasiado, quando assim o percebeu já era tarde, já inúmeras lágrimas se desfaziam em rios longos e encarnados, de forma violenta. Um choro descontrolado, ele soluçava ao ritmo de uma enorme montanha russa que estava prestes a despedaçar-se no céu cinzento. Durante horas só sentiu dor, a cara ardia-lhe quando cada lágrima caía, era como ácido corrosivo. Do nariz só se soltavam pedaços do seu corpo inerte e incompleto e as mãos tremiam juntamente com as pernas já sem força. Em tempo de paz o homem belicoso ataca-se a si próprio, já dizia Nietzsche.

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