terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Hoje acordei e cuspi para o chão, Este meu hálito a merda anda a atormentar-me. Dispo e visto, visto e dispo, não quero usar nada, digo, NADA. Quero nem sair daqui, deste pequeno monte de estrume a que chamo cama, não quero mesmo nada. A azia humana é uma doença complicada, o perceber que é tudo sistemático, as vozes, os cheiros, as manias e as evidências, não quero nada disto. Vejo-me numa teia solitária, procuro esquecer-me do gigante cagalhão que habita lá fora, que se passeia sorridente com um tremendo vazio lá dentro, pois é só um cagalhão. Não consigo, tenho dito. Ainda ontem vim do Porto e no pouco que lá estive, só lá quis ficar. Amanhã irei à praia e talvez queira lá morar. Não consigo nada. Não consigo gostar de um emprego, não consigo brincar às relações amorosas porque parecem-me sempre ridículas, não consigo deixar de comer carne, ai dobrada mais o feijão e o outro que também leva couves. Não consigo a ponta de um corno e, fosse este mais fálico, até nele me sentava, só para sentir o tempo passar. Que puta de vida a minha, a da bebida e a da sofrida. Mesmo não sabendo porquê ou fingindo porquês. É aquela merda, a..., aquela coisa que nunca se esgota, a..., a insatisfação. Não consigo, e não me chamem de perdida porque isso é mais que tontice, ninguém no seu perfeito juízo define a vida para chamar quer lá o que esses carneiros queiram, Sacanas existenciais, vicio visceral do medo, quantas patas tem o cavalo?

1 Comment:

Maestro

Gostei tanto que vomitei de felicidade .

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